Quem é agridoce?




Sou Laysa. Eu gostaria de ser Amélie, para poder sair por aí fazendo coisinhas boas para o mundo todo. Eu gostaria de ser a Bela ou Esmeralda, para amolecer a Fera ou o Quasímodo. Queria ser Maria Antonieta para extravasar e compensar o que eu não gostasse, assim. Contentar-me-ia em ser alguma personagem de Ziraldo, contando que viesse seguida do adjetivo “Maluquinha”. Acharia pertinente ser Hypatia ou Marie Currie, para entrar na história pela Ciência. Entretanto, não sou nada disso. Sou, apenas, Laysa.

Vale lembrar que sou da espécie de gente que nunca recusará café nas terças-feiras à tarde. Em qualquer panificadora, de qualquer bairro. E se você não quiser conversar, a gente fica quieta e só observa...

Escrevo porque... Por quê? Está aí uma coisa que eu dificilmente penso: escrever, por quê? Acho, mesmo, que é porque eu sempre tive a impressão de que as coisas ficam mais bonitas no papel. Tem gente que escreve e deixa até bêbado passível de comoção. Talvez eu quisesse ser como essa gente: embelezar o mundo com as minhas palavras. Tentar por enfeite em árvores que não são pinheirinhos. É. É isso. Certamente é isso.